sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Geologia

A serra de Monchique é formada por duas partes de morfologia distinta: O maciço eruptivo constituído essencialmente por sienitos nefelínicos que se elevam a 902 m (Fóia) e 774 m (Picota). Estes dois picos estão separados por uma depressão onde se situa a vila de Monchique. As rochas eruptivas estão rodeadas por uma auréola metamórfica no contacto com xistos e grauvaques que formam cabeços arredondados e vales profundos talhados pela erosão.

O maciço eruptivo de Monchique é considerado o maciço ígneo alcalino mais importante da Europa. De acordo com Teixeira (1973) na serra de Monchique ocorrem inúmeros tipos de rochas eruptivas pouco frequentes em Portugal e até no mundo.

O Passil situa-se fora do maciço eruptivo, nesta localidade afloram xistos e grauvaques  e em locais podem observar-se xistos negros com intercalações de calcários detríticos e margas (Manuppella, 1992). Estas formações foram afectados por diversos acidentes tectónicos, que ocorreram quando da instalação do maciço eruptivo de Monchique. Numerosas dobras e falhas podem ser observadas, ao longo da estrada que dá acesso a Marmelete.




Clima

A serra de Monchique contrasta com as outras regiões do Algarve em vários aspectos  como a geologia, clima cobertura vegetal, etc. Esta região tem um clima diferente da restante região algarvia, devido essencialmente às suas características morfológicas. O efeito de altitude provoca a diminuição da temperatura e aumento da humidade do ar que aumenta a instabilidade das massas de ar marítimo, quando sobe ao longo das vertentes, com aumento significativo da precipitação e ocorrência de nevoeiros. A precipitação média anual é de cerca de 1300 mm (na zona do Passil é de cerca 1000mm)     e a temperatura média mensal do mês mais quente é de cerca de 22ºC.


Flora

Monchique constitui uma unidade geográfica com características completamente diferentes do resto da serra algarvia, onde existem determinados habitats específicos, existindo um conjunto de espécies vegetais e animais que evoluíram em condições favoráveis ao longo do tempo, sendo algumas únicas no país. De entre as espécies vegetais salientam-se o samouco ( Mirica faya) adelfeira (Rhododendron ponticum), o azevinho (Ilex aquifolium), o medronheiro (Arbutus unedo), o rododendro, carvalho (Qercus canariensis), o castanheiro e diversos tipos de giestas, tojos e urzes.








 

Fauna

Em relação à fauna, a serra de Monchique constitui o habitat de algumas espécies  ameaçadas de extinção como lince ibérico ((Lynx pardinus). Outras espécies existentes e protegidas pela directiva “Habitats”, são a lontra (Lutra lutra), o rato de cabrera (Microtus cabrerae), o lagarto de água (Lacerta schreiberi), o cágado (Mauremis leprosa), a boga portuguesa (Chondrostoma lusitanicum), a águia de bonelli (Hieraaetus fasciatus) e a águia cobreira (Circaetus gallicus). As espécies mais comuns são a raposa, o gato bravo, o ouriço, o sacarabos e javali, tendo este último aumentado a sua população nos últimos anos. A serra de Monchique constitui também uma região privilegiada  para anfíbios e batráquios, uma das espécies o Triturus boscai, apenas é conhecido no Algarve, na serra de Monchique.
No Passil á noite é possível ouvir o som dos javalis, que se aproximam das casas. Além dos javalis, outros sons nocturnos que se podem são o piar das corujas, mochos, rouxinóis  e vento e chuva, quando se fazem sentir.

História

O povoamento da área que constitui actualmente  a freguesia de Marmelete remonta ao Neolítico. A idade do Bronze também teve uma ocupação significativa, existindo vestígios de várias minas de cobre, que continuaram depois com os romanos, seguindo-se os visigodos (Sampaio, 2002). Devido à proximidade de Silves, nesta zona também estiveram presentes os muçulmanos, nomeadamente os berberes (povos de montanha), cujas casas de uma só água, bem presentes em Marmelete, derivam da influência destes povos (Sampaio, 2002).
Devido á proximidade de Lagos é provável que alguns dos navegantes que embarcaram nas caravelas que partiram para os descobrimentos fossem naturais de Marmelete, como o sugerem alguns apelidos (Sampaio, 2002).
No século XVI, já Marmelete era sede de freguesia. O Passil, que antes tinha o nome de Ribeira do Passil, pertenceu ao munícipio de Aljezur até finais do seculo XVIII. A partir desta data passa a pertencer ao munícipio de Monchique (Sampaio, 2002).
Nos anos 30 foi criada uma escola no Passil e em outros locais da freguesia de Marmelete. Até esta altura apenas existia uma única escola, na sede de freguesia.
A freguesia de Marmelete esteve isolada do resto do Algarve até 1951, devido à dificuldade de acessos. Apenas nesta data foi construída a estrada Casais – Marmelete. Em 1946 também diminuiu o isolamento do Passil em relação à sede de freguesia, nomeadamente no Inverno, devido à dificuldade de atravessar a ribeira das Cercas em épocas de cheia. Neste ano foi construída a ponte do Passil (actualmente encontra-se em estado degradado, tendo sido posteriormente construída uma outra ponte). Até 1970, o acesso a Marmelete era efectuado por veredas estreitas, que subiam o monte até à aldeia, depois foi construída uma estrada que faz a ligação á aldeia. A electricidade apenas chegou ao Passil em 1996.
A freguesia de Marmelete  fornecia produtos hortícolas (eram famosos os laranjais e os soutos de castanheiros) á cidade de Lagos, que eram levados por almocreves, trazendo no regresso o peixe e outros produtos. Em meados do século XX, a economia da freguesia era essencialmente agrária, baseada na produção de milho, trigo, centeio, batata, bolota, aguardente de medronho, castanhas, madeira, cortiça, mel, leite, e lã dos rebanhos, que era tecida nos teares. Nesta região existia também uma indústria textil artesanal, sendo fabricados tecidos de lã e linho em teares caseiros e nos pisões movidos a água (Sampaio, 2002).
Ao longo da ribeira das Cercas existiam alguns pisões e azenhas, que actualmente encontram-se em ruínas ou apenas vestígios. Estas estruturas movidas a água eram utilizadas no fabrico do linho e na moagem dos cereais. No Passil ainda é possível observar vestígios destas construções.