O povoamento da área que constitui actualmente a freguesia de Marmelete remonta ao Neolítico. A idade do Bronze também teve uma ocupação significativa, existindo vestígios de várias minas de cobre, que continuaram depois com os romanos, seguindo-se os visigodos (Sampaio, 2002). Devido à proximidade de Silves, nesta zona também estiveram presentes os muçulmanos, nomeadamente os berberes (povos de montanha), cujas casas de uma só água, bem presentes em Marmelete, derivam da influência destes povos (Sampaio, 2002).
Devido á proximidade de Lagos é provável que alguns dos navegantes que embarcaram nas caravelas que partiram para os descobrimentos fossem naturais de Marmelete, como o sugerem alguns apelidos (Sampaio, 2002).
No século XVI, já Marmelete era sede de freguesia. O Passil, que antes tinha o nome de Ribeira do Passil, pertenceu ao munícipio de Aljezur até finais do seculo XVIII. A partir desta data passa a pertencer ao munícipio de Monchique (Sampaio, 2002).
Nos anos 30 foi criada uma escola no Passil e em outros locais da freguesia de Marmelete. Até esta altura apenas existia uma única escola, na sede de freguesia.
A freguesia de Marmelete esteve isolada do resto do Algarve até 1951, devido à dificuldade de acessos. Apenas nesta data foi construída a estrada Casais – Marmelete. Em 1946 também diminuiu o isolamento do Passil em relação à sede de freguesia, nomeadamente no Inverno, devido à dificuldade de atravessar a ribeira das Cercas em épocas de cheia. Neste ano foi construída a ponte do Passil (actualmente encontra-se em estado degradado, tendo sido posteriormente construída uma outra ponte). Até 1970, o acesso a Marmelete era efectuado por veredas estreitas, que subiam o monte até à aldeia, depois foi construída uma estrada que faz a ligação á aldeia. A electricidade apenas chegou ao Passil em 1996.
A freguesia de Marmelete fornecia produtos hortícolas (eram famosos os laranjais e os soutos de castanheiros) á cidade de Lagos, que eram levados por almocreves, trazendo no regresso o peixe e outros produtos. Em meados do século XX, a economia da freguesia era essencialmente agrária, baseada na produção de milho, trigo, centeio, batata, bolota, aguardente de medronho, castanhas, madeira, cortiça, mel, leite, e lã dos rebanhos, que era tecida nos teares. Nesta região existia também uma indústria textil artesanal, sendo fabricados tecidos de lã e linho em teares caseiros e nos pisões movidos a água (Sampaio, 2002).
Ao longo da ribeira das Cercas existiam alguns pisões e azenhas, que actualmente encontram-se em ruínas ou apenas vestígios. Estas estruturas movidas a água eram utilizadas no fabrico do linho e na moagem dos cereais. No Passil ainda é possível observar vestígios destas construções.


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